O Projeto Biblioterapia retorna ao Hospital das Clínicas

Após uma pausa de seis meses, o Projeto Biblioterapia retomou suas atividades no Hospital das Clínicas (HC) da UFMG. A iniciativa, vinculada ao Programa de Extensão Carro-Biblioteca: Frente de Leitura, promove encontros semanais com crianças que realizam tratamento no setor de hemodiálise da instituição, localizada na Avenida Professor Alfredo Balena, em Belo Horizonte.

O projeto atua desde 2025 e busca, por meio da leitura e da escuta, contribuir para o bem-estar, a saúde mental e o acolhimento dos pacientes. Além das crianças, mães e acompanhantes também participam das atividades desenvolvidas pela equipe.

Durante os encontros, são realizadas mediações de leitura, conversas, jogos e outras atividades. Em 2025, por exemplo, foi realizada uma oficina de produção de velas com a bolsista Vera Lúcia. Com a retomada das atividades em 2026, a equipe também está desenvolvendo a “Caixa Estante”, que disponibilizará livros para empréstimo aos acompanhantes.

Você também pode contribuir com a Caixa Estante doando um livro! Confira mais informações neste post Campanha arrecadação de livros

Mas, afinal, o que é biblioterapia?

A biblioterapia não surgiu no Carro-Biblioteca. A prática é, na verdade, um método que utiliza a literatura como ferramenta de apoio emocional e pode contribuir para processos de reflexão, acolhimento e bem-estar.

Mais do que um momento de descontração, a leitura, quando utilizada como recurso biblioterapêutico, pode assumir diferentes funções, como educativa, emocional e reflexiva. No Hospital das Clínicas, o projeto busca, acima de tudo, criar momentos de cuidado, escuta e acolhimento por meio dos livros e das atividades desenvolvidas com os participantes.

A retomada das atividades

As atividades da Biblioterapia ficaram suspensas durante seis meses em 2026 em razão da greve dos servidores da UFMG. A paralisação também interrompeu temporariamente as visitas do Carro-Biblioteca às comunidades atendidas pelo programa. Confira a matéria completa pelo link Visitas às comunidades são interrompidas devido à greve dos servidores

Com o fim da greve, a Biblioterapia voltou ao Hospital das Clínicas no dia 07 de Agosto e iniciou uma nova etapa com uma equipe renovada.

Por meio de jogos, conversas e muitas leituras, os encontros proporcionam momentos de interação e acolhimento para as crianças e seus acompanhantes. E quem pode nos contar um pouco mais sobre isso é a bolsista Sofia Amorim, estudante de letras da UFMG que já participou de diversos encontros da Biblioterapia.

“A experiência de trabalhar com a biblioterapia é algo único, sentir que você está fazendo a diferença na vida de uma criança é muito especial. Poder criar memórias, tirar um sorriso no rosto delas enquanto estou no hospital é muito gratificante”

Para a bolsista, as visitas proporcionam às crianças uma experiência que vai muito além da leitura. A Biblioterapia representa um momento de quebra na rotina e de descontração, permitindo que elas conheçam outras realidades por meio da literatura:

“Acredito que a biblioterapia tem uma forte importância para as crianças em tratamento de hemodiálise, porque vejo ela como uma válvula de escape, um momento de lazer e leitura que proporciona para as crianças uma memória boa em meio às dificuldades de saúde. Os livros abrem portas para um mundo repleto de possibilidades”

Ao longo das visitas, o vínculo entre as crianças e os bolsistas também se fortalece, criando uma relação de carinho e proximidade. Sofia conta que um dos momentos mais marcantes de sua experiência no Hospital das Clínicas aconteceu justamente a partir dessa conexão:

“O momento mais marcante para mim durante as visitas ao HC até o momento, foi quando um dos pacientes me perguntou que dia ele voltaria a me ver por lá, e quando eu disse para ele que demoraria uma semana até que eu voltasse, ele se entristeceu e disse que gostaria que eu fosse mais vezes!”

As visitas continuarão acontecendo semanalmente, levando livros, histórias, conversas e momentos de acolhimento para as crianças e seus acompanhantes.

Escrito por Gabrielly Rigueira